A moça de aspecto lamentável fazia gestos indicativos de que ia saltar. Nas adjacências do edifício a multidão extasiada acompanhava o inusitado espetáculo. Olhares aflitos fixavam o esquálido corpo cujos gestos refletiam a angústia e o desespero de alguém no limiar de sua derradeira opção. De repente, uma voz sobressai no murmúrio da multidão: “Pula” e logo é seguida por um coro uníssono e cadenciado: “Pula”, “Pula”, “Pula.
A moça estende os braços e pernas na posição de mergulho. Cala-se o coro. Um silêncio acompanha a expectativa dos olhares fixos e tensos. A moça desfaz a posição extrema, acena para o povo e entra pela janela. A vaia foi estrondosa.
ATRÁS DA BOLA
Dirigia com tranqüilidade pela rua estreita. De repente uma bola surge a alguns metros à frente do carro. “Atrás da bola sempre vem uma criança” pensou e pisou no freio. “Perdeu” foi o que ouviu de um robusto “di menor” que empunhava um tresoitão apontado pra sua cabeça.
O RETORNO
Todas as atenções no bar Cabaça Grande, situado na pequena cidade de Morubixaba estavam centradas em sua simpática figura. Saíra humilde e paupérrimo há alguns anos e agora retornava rico, generoso, muito falante ao relatar suas aventuras nos Estados Unidos. Segundo suas narrações, depois de percorrer várias regiões na América do Norte, trabalhando duro nas mais variadas e humildes profissões, finalmente enriquecera no frígido Alaska, tornando-se um dos grandes empresários no ramo da pesca.
Sua mesa, onde não cabia mais nenhuma garrafa de cerveja, sorvida pelos circunstantes à sua custa, todos antigos companheiros de tempos miseráveis. Embasbacados, ouviam seus relatos, suas lutas, superações e dificuldades visando um lugar ao sol no grande país do norte; seu início como simples empregado na indústria da pesca, sua ascensão gradativa até chegar ao ponto em que chegou.
Suas narrativa gloriosa, no entanto, não mais que de repente, como dizia o poeta, foi interrompida por um acontecimento que o fez gelar, como se estivesse no Alaska. Uma folha de papel com o seu retrato foi atirada bem na sua frente por um jovem “nerd” que chegara repentinamente ao local. Só que acima da fotografia havia uma notícia, já previamente traduzida do inglês que dizia : “Identificado brasileiro autor de roubo milionário”. Arrasado, escafedeu-se do bar e da cidade o mais rápido possível, maldizendo a existência da Internet.