Em recente entrevista dada à Folha de São Paulo o cineasta português Manuel de Oliveira que já completou 101 anos de idade, afirmou que a grande frustração de quem atinge uma idade tão avançada é não ter mais amigos de longa data. De fato, durante a trajetória de nossa vida, vamos angariando e perdendo amigos e para aqueles privilegiados que conseguem atingir uma idade tão avançada em pleno gozo de suas faculdades, como é o caso de Manuel de Oliveira e Oscar Niemeyer, fica um imenso vazio de não ter mais com quem conversar sobre os tempos azuis da adolescência e juventude. E é tão bom recordar o passado com pessoas que conviveram conosco, que fizeram parte de nossa vida, que testemunharam acontecimentos marcantes agora tão longínquos.
Não me considero um saudosista, mas gosto de resgatar dos porões da memória passagens de minha vida e, sem dúvida, com um sabor todo especial quando partilhamos essas passagens com pessoas que também as testemunharam. Faço estas considerações quando reencontro em São Paulo um amigo com quem tive uma fraterna convivência nos meus tempos de juventude, mais ou menos, há uns 50 anos atrás. Na verdade, não consegui de imediato correlacionar aquele senhor de bigodes e cabelos esbranquiçados com o adolescente de faces rosadas e aparência juvenil. Dois retratos de duas épocas distantes fixaram comparativamente em minha mente. O jovem e brilhante estudante que foi aprovado em um dos primeiros lugares no vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o famoso ITA, e o atual professor universitário de uma das melhores faculdades paulistas.
Já com o desenrolar da conversa e as recordações aflorando, as nossas aparências da atualidade já pouco importam, pois a alma não envelhece e antigas recordações povoam nossas mentes resgatando um passado prenhe de acontecimentos, alguns ligados ao ardor da juventude nos embates da fervilhante política estudantil da época.
Simão Copeliovitch é o nome de meu antigo e recente amigo. Sobrenome complicado em uma pessoa simples e afável. Como é bom reencontrar verdadeiros amigos, pois como diz um dos grandes poetas de nosso cancioneiro popular, amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito. Nunca sai.
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