O casal Serafim Pinto Ribeiro e Maria Aparecida
Pinto Ribeiro já tinha três filhos, quando no dia 10 de dezembro de 1915 seu
lar foi enriquecido com mais um, que recebeu na pia batismal o mesmo nome de
seu progenitor acrescido do “Júnior”. No
entanto, na prática, o pomposo nome
“Serafim Pinto Ribeiro Júnior” , desde logo transformou-se em “Pipi”, transpondo os limites do círculo familiar para
ser assim conhecido e cantado em prosa e
verso nos meios futebolísticos. E Pipi, com seu futebol rápido, com seus gols
primorosos encantou e brilhou nos
gramados brasileiros.
Como todo
menino daqueles tempos, seus primeiros contatos com a bola foi na rua, nas
chamadas peladas e, embora franzino no físico, sua habilidade logo chamou a
atenção, iniciando sua trajetória futebolística no time infantil do Esporte Clube Ouro-finense.
Terminando
seus estudos secundários em Ouro Fino, Pipi seguiu para Belo Horizonte com o
objetivo de ingressar na Faculdade de Direito, o que conseguiu. No entanto sua habilidade com a bola
demonstrada num torneio universitário em que sua faculdade sagrou-se campeã,
logo chamou a atenção dos dirigentes do América Mineiro, que o contrataram,
iniciando-se assim suas trajetória como jogador de futebol profissional.
Naquela época,
ainda na década de trinta, não havia o
campeonato brasileiro de clubes, porém o campeonato brasileiro de seleções,
realizado após os campeonatos estaduais, atraía grande público aos estádios.
Ser convocado para a seleção do seu estado era uma glória para qualquer atleta
e, embora há pouco tempo atuando num grande clube de Belo Horizonte, Pipi viu
seu nome ser convocado para integrar a seleção mineira.
Minas não
chegou a final, pois fora derrotada pela equipe carioca, mas as atuações de
Pipi chamaram a atenção dos grandes clubes do Rio de Janeiro, sendo que o
craque mineiro chegou a treinar no Vasco da Gama, recebendo também propostas do Fluminense e do América do Rio. No entanto,
o preço de seu passe valorizava astronomicamente em razão da disputa e acabou
sendo vendido para quem pagou mais, ou seja, um time de São Paulo, exatamente o
Palmeiras, na época denominado Palestra
Itália.
Assim, em 1940 Pipi apresentava-se ao
Palmeiras e logo foi escalado como titular para disputar o torneio que
inauguraria o Estádio do Pacaembu, ganhando seu primeiro título nas plagas
paulistanas, numa partida acirrada contra o eterno rival Corinthians, jogo em
que o Palmeiras venceu por 2 a 1 e que bateu o recorde absoluto de público até então em estádios brasileiros, com mais de
70.000 espectadores.
Seu futebol
continuava em ascensão nas terras paulistanas, tanto que logo seria convocado
para defender a Seleção Paulista no Campeonato Brasileiro de 1941. E as
atuações de Pipi receberam os maiores elogios da imprensa esportiva,
principalmente no jogo final em que a seleção paulista venceu a carioca pelo
placar de quatro a dois, sendo que Pipi foi o grande herói, pois fez três gols,
todos de cabeça.
Logo
depois, veio nova convocação, agora para a Seleção Brasileira que disputaria o
Campeonato Sul Americano realizado em Montevideo, isto no início de 1942. O Brasil não chegou a
final ao perder para a Argentina por
dois a um e dos sete jogos disputados
pela nossa Seleção, Pipi participou de três, dividindo a ponta esquerda com um
jogador já veterano, mas famoso na época, Patesko que jogava no Botafogo. Os donos da casa, Uruguai, sagraram-se campeões
ao vencer a Argentina no jogo decisivo.
A segunda
guerra mundial acabou atrapalhando a carreira futebolística do craque
ouro-finense, pois certamente Pipi seria convocado para a seleção Brasileira,
se a Copa do Mundo que deveria realizar-se em 1942 não fosse cancelada em razão
do conflito que assolava a Europa, com sua gama de destruição e morte.
Jogou no
Palmeiras até dezembro de 1943, ocasião em se transferiu para o Fluminense ,
mas num lance disputado com o goleiro do Flamengo Yustrich, sofreu uma
seríssima contusão que o deixou fora dos gramados durante muito tempo.
Desiludido, retornou a São Paulo, transferindo-se para o Corinthians onde jogou
de 1945 até fevereiro de 1947, quando encerrou sua carreira, retornando a sua
querida terra natal, Ouro Fino.
Pipi,
tornou-se um dos redatores da Gazeta de
Ouro Fino, foi um dos fundadores do Montanhês Clube, pertenceu à Academia Ouro-finense de Letras e
Artes, recebeu várias homenagens em sua terra natal, inclusive o laurel “ O
Bateador”, outorgado pela Prefeitura de Ouro Fino a personalidades que fizeram
de sua vida um exemplo a todos.
Serafim
Pinto Ribeiro Júnior, ou simplesmente
Pipi, faleceu em Ouro Fino no dia
4 de julho de 2001.
Nenhum comentário:
Postar um comentário