sábado, 10 de outubro de 2015

O CENTENÁRIO DE PIPI

                                               
         O casal Serafim Pinto Ribeiro e Maria Aparecida Pinto Ribeiro já tinha três filhos, quando no dia 10 de dezembro de 1915 seu lar foi enriquecido com mais um, que recebeu na pia batismal o mesmo nome de seu progenitor acrescido do “Júnior”.  No entanto, na prática,  o pomposo nome “Serafim Pinto Ribeiro Júnior” , desde logo transformou-se em “Pipi”,  transpondo os limites do círculo familiar para ser assim  conhecido e cantado em prosa e verso nos meios futebolísticos. E Pipi, com seu futebol rápido, com seus gols primorosos encantou  e brilhou nos gramados brasileiros.
   Como todo menino daqueles tempos, seus primeiros contatos com a bola foi na rua, nas chamadas peladas e, embora franzino no físico, sua habilidade logo chamou a atenção, iniciando sua trajetória futebolística no time infantil  do Esporte Clube Ouro-finense.
   Terminando seus estudos secundários em Ouro Fino, Pipi seguiu para Belo Horizonte com o objetivo de ingressar na Faculdade de Direito, o que conseguiu.  No entanto sua habilidade com a bola demonstrada num torneio universitário em que sua faculdade sagrou-se campeã, logo chamou a atenção dos dirigentes do América Mineiro, que o contrataram, iniciando-se assim suas trajetória como jogador de futebol profissional.
   Naquela época, ainda na década de trinta, não havia  o campeonato brasileiro de clubes, porém o campeonato brasileiro de seleções, realizado após os campeonatos estaduais, atraía grande público aos estádios. Ser convocado para a seleção do seu estado era uma glória para qualquer atleta e, embora há pouco tempo atuando num grande clube de Belo Horizonte, Pipi viu seu nome ser convocado para integrar a seleção mineira. 
       Minas não chegou a final, pois fora derrotada pela equipe carioca, mas as atuações de Pipi chamaram a atenção dos grandes clubes do Rio de Janeiro, sendo que o craque mineiro chegou a treinar no Vasco da Gama, recebendo também propostas  do Fluminense e do América do Rio. No entanto, o preço de seu passe valorizava astronomicamente em razão da disputa e acabou sendo vendido para quem pagou mais, ou seja, um time de São Paulo, exatamente o Palmeiras, na época denominado  Palestra Itália.  
        Assim, em 1940 Pipi apresentava-se ao Palmeiras e logo foi escalado como titular para disputar o torneio que inauguraria o Estádio do Pacaembu, ganhando seu primeiro título nas plagas paulistanas, numa partida acirrada contra o eterno rival Corinthians, jogo em que o Palmeiras venceu por 2 a 1 e que bateu o recorde absoluto de público  até então em estádios brasileiros, com mais de 70.000 espectadores.
   Seu futebol continuava em ascensão nas terras paulistanas, tanto que logo seria convocado para defender a Seleção Paulista no Campeonato Brasileiro de 1941. E as atuações de Pipi receberam os maiores elogios da imprensa esportiva, principalmente no jogo final em que a seleção paulista venceu a carioca pelo placar de quatro a dois, sendo que Pipi foi o grande herói, pois fez três gols, todos de cabeça.
     Logo depois, veio nova convocação, agora para a Seleção Brasileira que disputaria o Campeonato Sul Americano realizado em Montevideo, isto  no início de 1942. O Brasil não chegou a final ao perder para a Argentina  por dois a um e  dos sete jogos disputados pela nossa Seleção, Pipi participou de três, dividindo a ponta esquerda com um jogador já veterano, mas famoso na época, Patesko que jogava no Botafogo.  Os donos da casa, Uruguai, sagraram-se campeões ao vencer a Argentina no jogo decisivo.
     A segunda guerra mundial acabou atrapalhando a carreira futebolística do craque ouro-finense, pois certamente Pipi seria convocado para a seleção Brasileira, se a Copa do Mundo que deveria realizar-se em 1942 não fosse cancelada em razão do conflito que assolava a Europa, com sua gama de destruição e morte.
     Jogou no Palmeiras até dezembro de 1943, ocasião em se transferiu para o Fluminense , mas num lance disputado com o goleiro do Flamengo Yustrich, sofreu uma seríssima contusão que o deixou fora dos gramados durante muito tempo. Desiludido, retornou a São Paulo, transferindo-se para o Corinthians onde jogou de 1945 até fevereiro de 1947, quando encerrou sua carreira, retornando a sua querida terra natal, Ouro Fino.
      Pipi, tornou-se um  dos redatores da Gazeta de Ouro Fino, foi um dos fundadores do Montanhês Clube,  pertenceu à Academia Ouro-finense de Letras e Artes, recebeu várias homenagens em sua terra natal, inclusive o laurel “ O Bateador”, outorgado pela Prefeitura de Ouro Fino a personalidades que fizeram de sua vida um exemplo a todos.
     Serafim Pinto Ribeiro Júnior, ou simplesmente  Pipi, faleceu em Ouro Fino no dia  4 de julho de 2001. 

     

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